Estava eu assistindo Romeu e Julieta, versão 1965 (sim, amarradona!). Minha mãe quase chora de tédio, meu pai se revolta e meu irmão zoa com minha cara. Mas fico feliz em assistir os bons clássicos, a inteligência atemporal de Shakespeare e as falas cheias de um romance absurdo. “Romeu, Romeu!” – um drama doido, mas bom na ficção.
Beleza, mas para onde a gente corre quando a falecida Julieta começa a fazer discípulas?
Se você for analisar a coisa friamente, tem um monte de meninas contraindo a “Síndrome de Capuleto” por aí. Na história original, o Romeu tinha 16 anos e a dita-cuja tinha apenas 13. Sem noção da vida, mas com força suficiente para quebrar tudo e enfiar uma espada no corpinho que ainda tinha muita puberdade pela frente. Fazia muito e pensava pouco. Você conhece alguma garota parecida?
Julietas, Julietas. As discípulas não deixam de imitar quase nada: Entregam a boca e o coração ao cara bonitinho no mesmo dia em que o conhecem – sem saber se são amigos ou inimigos da fé. Passam por cima dos pais. Esquecem que, sendo os pais cristãos ou não, ainda são pais, o que faz deles voz de Deus sobre suas vidas. Não se conhecem nem conhecem os outros muito bem. “Eu te amo porque amo, por causa do diálogo superficial já te desejo por toda a vida”.
Ah, e tem o lance da precipitação também. Se não for agora, não é nunca mais, blá blá blá... Querem porque querem, assim como não amam muito bem. Quando você se “julietiza”, o importante na vida é rir e ter o prazer de qualquer conquista. Aprender fica em segundo plano – e, como Deus nos criou para ser aprendizes até o fim, isso é um obstáculo complicado.
E por fim, o terror do desfecho: Síndrome de Capuleto é uma doença mortal. Depois de cega, a vítima fica surda e insensível a qualquer mudança de planos que tire seu objetivo da jogada. Ela dá umas convulsões de ódio, porque o resto do mundo parece estar determinado a encher o saco. “Todos estão errados, menos eu e Romeu! Por que será que ninguém percebe? Ele é o queijo da minha goiabada.” Então, depois de cega e surda, a idólatra dá fim à própria vida. Porque afinal, é melhor morrer que viver longe dele... Triste, né?
Mulherada, pare de “julietar” por aí. Não vamos trocar os joelhos dobrados por dois corações acelerados. Qualquer uma que se mete nessa de valorizar o temporário, tende a terminar como a grande pioneira da arte: morrendo pelas próprias mãos.
Fonte: garotacrista.com.br
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